Tia Nancy, varias micro historias sobre mim – ensaio em 3 partes

Foi assim, foi assim sempre…

…Sempre fui escritor, e quando não estava sendo escritor, eu era leitor… fui criado em uma família, que de alguma forma era um tanto disfuncional, eles realmente não sabiam o que estavam fazendo ao me criar, ou não estavam prontos para criar uma criança como eu era – e eu entendo isso hoje.
Entrei no movimento #Escoteiro ainda novinho, então fui #Lobinho, #Escoteiro, #Senhor, #Pioneiro, e quase, me tornou #Chefe de tropa de escoteiro (quase, porque eu não tinha idade para ser chefe de tropa, nem condições, nem muito menos estrutura…).

Durante minha breve vida não concluída, trabalhei para 12 pessoas ou empresas; trabalhei para uma senhora no Rio Grande do Sul, quando morei em São Leopoldo, ela tinha hábitos #Romani, eu entregava panfletos, e ela fazia consultas, eu encaminhava os clientes, e ela me pagava – #simples, eu sempre adorei trabalhar com pessoas simples, lidar com pessoas simples, pensar com pessoas simples, viver com pessoas simples. De tão simples, me tornei #caotico – sério, eu sou uma mistura de Alberto Caeiro (de Fernando Pessoa) na simplicidade, @Elizabeth Gilbert por ser essa constante em movimento, e um pouco de Ítalo Calvino, na hora de descrever as coisas com tantos detalhes, que puxa quem ler, para dentro da trama…
Trabalhei para a #Blue é Internet, quando ela era #Viacabo, e também para a #SKY, uma empresa texana pertencente a #AT&T,  depois de um tempo fui para a @Certisign S.A – e decidi que nunca mais na minha vida iria trabalhar com empresas onde eu não conseguia conversar com pessoas, apenas com maquinas…
Então fui fazer parte de uma equipe de comunicação e marketing em uma faculdade de minha cidade a #Uniron – um tiro no meu pé, não porque fosse ruim, eu aprendi muito, era porque realmente não era bom, me atrapalhou muito – Entende? Porque sou meio Gilbert? Então fui trabalhando em alguns jornais onlines e portais de noticias da cidade, trabalhei para algumas produtoras, e por fim, MEU TREINAMENTI terminou, quando eu fui trabalhar numa ONG, chamada Kanindé – que em tupi Guarani, significa “Arara Vermelha”, uma associação de Defesa Etnoambiental, onde eu pude aprender muito, muito mesmo, sou muito grato a Deus pela oportunidade que tive de trabalhar com todas aquelas pessoas, de todos os meus trabalhos, esse foi o segundo mais significativo – embora eu não recebesse por ele, a quantidade de estresse e raiva, amor, e carinho, que aprendi a receber e a doar, não pode ser explicado por métodos científicos…
Contei pra vocês cerca de 13 anos da minha vida, depois disso tudo? Escrevi…

Sobre minha Criatividade
Escrevi muito… e as vezes, estava eu dormindo, então essa força criativa e incrivelmente opressora, dominadora e amistosa vinha e passava por mim, e lá eu, colocava no papel.. então, novamente ela vinha, as vezes as 4h da madrugada, no melhor do sono, e eu me levantava e escrevia… lembro me da primeira vez. Estava eu deitado, muito cansado, tinha acabado de chegar de uma viagem onde havia ido fazer uma pesquisa em outro estado, estava magro, um tanto debilitado – por ter vivido tantos dias fora de casa e sem muito auxilio do mundo externo -, e então lá veio essa força, 2h da madrugada… passou por mim, e já estava indo embora e quando ela quase saiu pela porta, eu peguei ela pelas mãos, e puxei… para dentro de mim, e a alojei nesse local, que normalmente chamamos de coração. E escrevi 198 paginas em 26 dias, e intitulei “Manual de Hoodoo” – o primeiro livro sobre Hoodoo, escrito no Brasil, por um Brasileiro… Assim nascia o Conjure no Brasil. Então disso, como uma brincadeira, que foi ganhando proporções alarmantes e assustadoras, me tornei o Primeiro Rei do Conjure no Brasil, todos os homens e mulheres que viriam a aprender sobre isso, nessas terras, em algum momento iriam passar por mim, iriam ouvir meu nome – me disse o mundo espiritual… e o que isso tem haver com a aranha…

Anansi
Nas culturas do povo Akan, de Gana, conta-se as histórias de Anansi, ele era um homem, que um dia percebeu que todos nós apenas deitávamos pra dormir, acordávamos, comíamos, trabalhávamos, e vivíamos no mundo assim… desse jeito, nunca conversávamos sobre nossos dias, sobre as pescarias, ou sobre como eram as coisas e porque elas funcionavam.
Deixe-me inclusive te contar uma coisa, que provavelmente você não sabe… nós seres Homo Sapiens, conversamos de forma linear, pensamos de forma linear – ou seja, contamos historias… ao conversar com alguém, ou ao pensar, contamos o começo, o meio e o fim… quando conversamos, e a pessoa diz “O que mais…”, e você responde “não tem mais…” é porque faltou algum detalhe, que para ela era a finalização. Mas voltando a “Nansi”…
Ele percebeu que o homem não tinha as suas próprias historias, – ele foi o primeiro ser no mundo a perceber isso, talvez (pelo menos que se sabe…).
Então ele foi falar com Nyame – o Deus dos Akan -.

“Senhor, um homem muito humilde como eu, de uma família muito humilde como saber, por gentileza, me diga, porque nós não sabemos contar nossas histórias… porque não sabemos como começar a falar sobre aquilo que sabemos e entendemos?” disse…

Nyama, nem um pouco intrigado – talvez por ser um deus – benevolentemente respondeu: “Ora Anansi, porque todas as historias dos homens, de suas mulheres, gado e outras posses, pertencem a mim, e dou-as ou não, a quem quero.”

Anansi sempre foi conhecido por ser muito esperto, muito astuto, ele era muito parecido com aquele outro príncipe Africano, que foi levado aos Estados Unidos para trabalhar nas Lavouras de cana, como era o nome dele? Ouvi Jhon, é isso… isso mesmo… High Jhon, o primeiro de seu nome…
Então com toda essa astucia, Anasi disse: “Quando o senhor cobraria, pela venda de todas as historias dos homens, de hoje, de ontem e dos que irão vir depois de todos nós? Pois quero distribuir elas ao mundo, deixar que elas sejam dos homens, um presente de mim, para todos eles…”
Então Nyame, vendo o gesto, que era sim bonito, bondoso, gentil e muito engraçado, riu, riu tanto, que sentiu todo seu corpo doer, riu tanto que chorou, riu tanto que perdeu a compostura… mas se acalmou e disse “Já que você esta tão determinado assim, para que você tenha isso que quer, quero que você traga a mim: O leopardo, Osebo. A Fada Moatia, que nenhum homem viu ate hoje, e que é uma cobra… (por isso que as Jiboias tem um encanto peculiar…), e os Marimbondos, Mmboro, que tem uma picada tal qual o fogo, mas tem de ser todos eles…”

Então lá se foi a entidade trapaceira… realizou todos os feitos, e dê-os a Nyame, que deu a ele o dom de “Contador de Historias”, e ele, deu esses dom a todos os homens… e a alguns deles, deu um pouco a mais: o dom de contar historias e registrar nas escritas…
Acredito que sou um desses felizardos. Outro dia falo mais de Anansi.
E para finalizar… Anansi, passa sua vida toda ouvindo, e vendo todas as historias do mundo, de todas as coisas do mundo, e quando dormimos, ele nos inspira, ele nos conta através de sonhos, uma historia que nos ajuda a solucionar os problemas, as vezes historias de um passado que a muito foi esquecido, que irá te ajudar e você esquecera…, ou quando somos sensíveis ao mundo espiritual, ele nos conta de uma forma mais peculiar – de uma maneira oculta, que funciona assim… estamos pensando em algo, e precisamos de uma resposta, e de repente concebemos a resposta…

Fim.

Nota: Comecei essa historia contando sobre o mundo físico, e como ele é difícil e como crescemos, e então mudei a historia totalmente de modo que não causasse estranheza, por fim, te levei ao mundo espiritual… para de falar de um ser espiritual, e do porque faço o que faço (escrevo…) – Deus, Deuses e coisas assim… não tem religiões, quem tem religiões, são pessoas… Deus, Deuses e coisas assim, andam pelo mundo… são o vento, a chuva, a água, o fogo… Anansi por exemplo, é as Aranhas Domesticas que vemos todos os dias em casa, e não nos importamos com sua presença, são ate bonitinhas – mas ate para essas aranhinhas, existe uma historia, e um segredo, as vezes chamo as pequenas aranhas de Tia Nancy, porque esses seres se transformam com o tempo, mais aqui já estou começando outra historia…

Kefron Primeiro – o primeiro de meu nome, quebrador de correntes, pai dos dragões… (espero que o humor seja algo reinante no momento que tu leres essa grande referencia…)

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